Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

ALDEIA DE PAZ na UFRA: Território livre no FSM-Belem-2009



SEGUNDO e ULTIMO COMUNICADO do FSM-2009

Por Coyote Alberto Ruz
Arte Fazenda Renascer
Vila de Apeú-Castanhals-PA
Desde um sitio na Amazônia.
Brasil




O dia 23 de Janeiro, todos os 200 moradores da Aldeia da Paz, aqui no Centro Agroecológico Iara da Universidade Rural Amazônica, vestidos com nossos melhores cores, nos reunimos em torno do fogo central, um espaço sagrado preparado com muito cuidado e amor, pelos principais guardiões dele: Ninguém Marcos e Verônica, com o apoio incondicional do grupo de guerreir@s que assumiram esse compromisso.

Saímos da cozinha comunal em precessão, levando as brasas do fogo familiar, mantido desde princípios de Janeiro pelos irmãozinhos Variña e José de Chile, para ascender o novo fogo social-espiritual das tribos, entre cantos e passos de danças ancestrais que retomamos hoje, para criar nossa nova cultura, com vozes, melodias, coros e ritmos provenientes de todos os cantos da Pachamama.

Com oferendas de chocolate, tabaco, rom, açúcar, farinha de milho, copal, flores, nosso irmão Mark, neo-xama das tribos celtico-maias de Inglaterra, invocou cada um dos 20 dias, forças, energias, naguales do calendário quiche de Guatemala, acompanhado dos caracoles, tambores, maracás, rezados e das pregarias de tod@s os presentes.

Os flashes das câmaras, tanto nossas como da imprensa, nacional e internacional, cobria nossa historia, já que o fogo da Aldeia da Paz, ascendido no dia 23, marcou o inicio espiritual do Fórum Social Mundial, como já foi feito nos fóruns dos anos anteriores. Algumas dessas fotos compareceram na capa dos jornais e revistas de Belem, em destaque, como antecedentes do que adviria poços dias depois, o dia 27, com a apertura oficial do FSM.

A partir do dia 23, começaram a chegar mais e mais peregrinos a nossa Aldeia. Os bairros surgiram ao longo das trilhas, equipes de trabalho de voluntários não paravam de martelar, cravar, cortar, limpar, capinar, construir, ao longo do dia inteiro, parando só para as rodas das três refeições que asseguramos cada dia, graças às contribuições diárias do pessoal ao “chapéu mágico” e algumas doações institucionais, alem da sopa que o Ceasa nos oferecia cada noite na janta. Cada roda, novos cantos e novas danças, avisos, demanda de voluntários nos grupos de trabalho para participar nas tarefas prioritárias, e informação das necessárias lesões diárias de educação ambiental e comunitária, para aqueles que por primeira vez compareciam numa experiência como esta.

Os chuveiros foram construídos, mais a água tardou vários dias em chegar, conseguimos ter energia elétrica, no ônibus Mazorca da Caravana, que voltou o Centro de Comunicações para toda Aldeia até que uma equipe conseguiu recuperar um espaço abandonado do Centro agroecológico Iara, destinado a piscicultura, e construir aí nossa produtora cooperativa de audiovisuais, videoclipes, estudo de gravação e centro de comunicações graças ao grande apoio que os irmãos argentinos Celeste e Damian, de Redfugios, deram a nosso gênio Pedro Jatobá e dias depois, chegou a turma de Olinda que instalou a “Radio Inter-Galáctica Livre” na Aldeia, (FM 88.1) que funcionou as 24 horas do dia ate o 1º de fevereiro com musica, entrevistas, anúncios, informações relevantes a nossos diferentes trabalhos e ao que acontecia no Fórum e no mundo nesses dias históricos.

Para alguns de nos, o FSM foi somente à escusa para a uma vez mais tentar a experiência da construção, sustentação e funcionamento de uma Aldeia Temporal da Paz, e oferecer esta vivencia aos que chegassem, a visitassem e a deram a conhecer a traves dos meios de comunicação e informação. Para outros, foi um espaço seguro para curtir, tanto do que acontecia dia a dia na Aldeia, como das muitas outras programações simultâneas no resto da UFRA, da UFPA e dos outros fóruns e palcos onde mais de 2.500 atividades foram realizadas nesses poucos dias.

E para outros, os “churunimas,” uma base perfeita desde onde operar para vender seus artesanatos, ter um refeitório gratuito para comer três vezes ao dia sem contribuir no chapéu mágico, sem trabalhar, sem responsabiliza-se pelo funcionamento da Aldeia. Dormindo no dia nas redes, fumando maconha, tocando um tambor, esperando as rodas de informações acontecer, sem participar, para correr a fila e pegar duas vezes alimentos, e sair às noites para vender, beber cerveja e continuar fumando. E mesmo, alguns deles, para se queixar da quantidade de alimentos recebida, da variedade do cardápio, dos erros e da falta de “organização,” d@s “lideres” e da estrutura “rígida” que não permitia beber álcool o consumo de drogas, alimentos animais, nem introduzir produtos transgénicos no acampamento. Os chupa-sangues de sempre.

Em quanto ao Coyote, somente sai da Aldeia quatro vezes nos vinte dias que permaneçamos no seu território de apenas três hectares que nos foi emprestado pelo grupo IARA formado pelos agro-ecologistas da UFRA. A primeira foi o dia 27 Janeiro, junto com arredor de trezentas cinqüenta pessoas, para participar na passeata de apertura do FSM pelas ruas de Belem, junto aos representantes dos movimentos sociais, etnias, jovens e indivíduos do mundo inteiro. As chifras oficiais e da imprensa dessa inédita marcha-político-carnavalesca, foi de cem mil participantes, todos fomos banhados pelas torrenciais chuvas amazônicas, uma verdadeira cachoeira caindo do céu para batizar-nos todos e todas, e finalmente fomos alegrados com um lindo arcoiris iluminando a cidade no momento que as águas pararam no meio da grande e colorida caminhada.

Nossa tribo de guerreiros e guerreiras da paz, entoando juntos: “Forças da Paz, cresçam sempre mais e mais, que reine a paz e acabem as fronteiras, nos somos um...” e “Amor, amor, amor, a mensagem e o amor, ama teu próximo como a te mesmo, ele é amor...” foi significativamente à tribo com maior diversidade étnica, já que na Aldeia tínhamos pessoas de trinta nacionalidades e diversas nações sem estado, especialmente dos povos hispânicos: bascos, catalãs, canários, malaguenhos, etc.

A alegria, a beleza de nosso povo, o colorido de nossas bandeiras, a variedade de nossas vestimentas e de nossas peles foi também o foco das câmaras de vídeo, da imprensa nacional e internacional, e dos milhares de participantes que ficaram atraídos pela energia desorbitante, pelas mensagens, e pela diferença de muitas das outras turmas que focaram seus mensagens mais na protesta, as reivindicações, as denuncias, quando os aldeianos falávamos só de paz e amor, como nos “anos sessentas”.

Um dos jornais de Belem lembrou uma canção de Caetano Veloso dos anos 80 que dizia: “apaches, punks, existencialistas, hippies, hippies de todos os tempos, uni-vos” um chamado que 20 anos depois foi atendido nessa tarde inesquecível, nessa marcha e cerimônia de unificação que durou até a noite, na praça da Republica, sitio onde nos, os moradores da Aldeia fizemos uma roda sentados na rua, e concluímos nossa caminhada com um ritual ecumênico com a presença e as palavras e cantos de dirigentes espirituais de vários continentes.

Com cem mil pessoas procurando voltar a seus alojamentos, delas mais de 15.000 jovens ao Acampamento da Juventude no campus da UFRA, foi para nossa tribo praticamente impossível pegar ônibus nessa hora, então decidimos, depois de ter caminhado das três da tarde as nove da noite, de voltar a nossa Aldeia a pé, atravessando um dos bairros que os moradores de Belem consideram o “mais perigoso da cidade.” Alguns destes companheiros locais nos aconselharam de não tentá-lo, mais nos, responsáveis da articulação e segurança da Aldeia, achamos que era uma ótima idéia, e com nossas bandeiras coloridas ao frente retomamos a estrada e tivemos uma maravilhosa experiência e linda acolhida da parte dos moradores do bairro que nos enviavam beijos e nos davam as boas noites e a bem-vinda a sua cidade.

A segunda vez que sai da UFRA, foi na tarde do dia 29, data ficada para o encontro dos cinco presidentes participantes no Fórum: Lula do Brasil, Hugo Chávez da Venezuela, Rafael Correa do Equador, Evo Morales da Bolívia e Fernando Lugo do Paraguai. A hora marcada para as apresentações seria as sete da noite, mais desde a uma da tarde, diante as portas de ingresso do gigantesco hangar onde aconteceria o histórico encontro tinha uma fila de centeias, milhares de pessoas aguardando.

Verônica e eu chegamos ao sitio perto das seis, e depois de uma espera de menos de meia hora, conseguimos entrar com nossas identificações de equipe de APOIO do Acampamento da Juventude, uma carta que foi entregue exclusivamente, depois de vários dias de árduas negociações com a turma do Comitê Organizador, aos voluntários que participamos na construção da Aldeia da Paz.

De essa maneira logramos testemunhar pessoalmente os discursos desses cinco presidentes, que nessa noite histórica afirmaram que suas eleições e cargos eram o resultado, tanto da mobilização dos movimentos sociais de seus paises como da mobilização da sociedade civil planetária organizada, presente nesse momento no Fórum Social Mundial de Belem do Pará, como também nos Fóruns dos anos anteriores.

A presença de um sindicalista brasileiro, um ex-sacerdote paraguaio membro do movimento da Teologia da Libertação, um índio cocalero dos Andes, um militar socialista venezuelano, discípulo de Fidel Castro Ruz, procurando construir uma América bolívariana, e de um carismático economista equatoriano puxando o novo “socialismo mágico do século XXI,” todos eles presidentes eleitos democraticamente nos seus paises, a maior parte nesta primeira década, são sem duvida indicadores de um giro importante na historia Latino-americana.

Fico atrás a década das ditaduras e das juntas militares dos anos 60s até os 80´s, os governos neoliberais, transnacionais e globalistas dos 90´s, e estamos agora na primeira década do século e do Milênio, o tempo dos governos populares, liberais e neo-socialistas, desde Centro América até a Patagônia, e agora, com a eleição de Obama Baraka e sua pose e primeiros passos na Casa Branca de Washington, que tive lugar no dia 20 Janeiro, no momento que estávamos construindo a Aldeia da Paz, pela primeira vez com um chefe de estado afrodescendente na capital do Império.

Algo significativo esta acontecendo no mundo, e mesmo si as mudanças não são tão radicais como muitos de nos sonhamos, não podemos perder a perspectiva e ficar cegos ante essa mudança fundamental, que nos permite agora, nesta década, nos reunirem em paz, milhares de ativistas, altermundistas, globalofóbicos, provenientes de mais de 150 paises, nos, os construtores de “um outro mundo possível,” não só com o apoio dos governos locais e federais, mais com a presença dos máximos dirigentes de varias nações sudamericanas irmãs.

Sim, sem duvida que um novo tecido se esta tecendo nas Américas, e a prova de que esse tecido tem cada dia mis força é que precisamente, no outro lado do mundo, estava acontecendo nesses mesmos dias, do 28 ao dia 1º, o Fórum Econômico Mundial de Davos, e assim como em Belem todo era festa, alegria, juventude, otimismo, unificação, celebração da união dos movimentos sociais do planeta inteiro, em Davos, Suíça, todo era fala de crise, de valores, de ética, de mercados, num clima de grande pessimismo e de mostras evidentes e explicitas do Sistema Global da incapacidade de sair do colapso provocado por esse mesmo sistema econômico hegemônico que impera no planeta. Só agora, tarde de mais, se escutaram e expressaram os gritos e lamentos dos dirigentes e banqueiros dos paises ricos, por não ter escutado as múltiplas advertências, e ter mantido e sustenido a todo custo, os dogmas do capitalismo selvagem.

Com a crença de que seria possível tentar de continuar crescendo de “forma insustentável” pensando que “todo ficaria sempre igual..”, nas palavras do economista Klaus Schwab, considerado um dos padres do neoliberalismo, pioneiro da globalização e o criador do Fórum Econômico de Davos. Sua chamada neste encontro foi que “sendo todos responsáveis pela crise, agora à comunidade financeira internacional teria que se responsabiliza também para encontrar uma solução para sair dela...”

Em Suíça se reuniram os ministros de finanças e presidentes dos bancos centrais de mais de 40 paises, procurando soluções para “salvar o capitalismo” com “novas regras onde não só sejam favorecidos os mais prósperos..” E, significativamente, somente dois presidentes latino-americanos estiveram ai presentes: Felipe Calderón do México, e Álvaro Uribe da Colômbia, os últimos representantes dos partidos conservadores, neoliberais no continente, associados estreitamente às políticas econômicas e militares do, agora ex-presidente George Bush.

Em Belem nos reunimos mais de 135.000 pessoas de 142 paises: índios, quilombolos, gays, punks, neo-hippies, ativistas, militantes, lideres de opinião, artistas, membros da imprensa alternativa, representantes de milhares de organizações do planeta, com uma programação oficial de 2.500 atividades prepositivas e 2.300 mais autogestionadas, para tentar de juntar nossas vocês, nossas propostas, nossos projetos de vida, e no caso de nos, os moradores da Aldeia da Paz, para criar um espaço onde muitas dessas propostas pudessem ser vivenciadas.

Onde não tivéssemos que falar tanto mais conseguíssemos manifestar que esse “outro mundo”, não só e possível, não só é necessário como falou Hugo Chavez no seu discurso, mais onde esse mundo não fosse mais um mundo ideal, senão um mundo real, com todos os desafios que isso implica.

Pequeno, rústico, humilde, construído em um 90 % com matérias recicladas o pegados no lixo, com escasso apoio institucional, construído por nos mesmos em grupos de trabalho voluntário, oferecendo os serviços da Aldeia, não só para seus moradores, mais também para todos os milhares de visitantes que passaram nesses dias pela Aldeia.

Nos dia pico do Fórum, de acordo a nosso censo de cada manha, éramos perto de 800 pessoas, acampando na lama, em 500 barracas, organizados em bairros, com nossa própria equipe de segurança e recepção, com os grupos de limpeza e manutenção das trilhas e dos banheiros secos, da composta e da reciclagem, os terapeutas e sanadores ao cargo da saúde integral de nosso povo, nossa própria programação artístico-cultural, produtora independente, radio comunitária, nossas oficinas praticas de permacultura, saúde, espiritualidade feminina, fogueira central e espiritualidade ecumênica, desenho de ecovilas, as abelhinhas mães e tias, cuidando de nosso espaço de crianças e a preparação de nossas três refeições vegetarianas gratuitas cada dia.

A terceira ocasião que sai da Aldeia, foi numa luxuosa ambulância do corpo dos bombeiros, para fazer uma serie de tomas de raios X de meus pulmões e uma mostra de minha sangue numa unidade móbile de saúde, dentro da mesma UFRA, porque com 15 dias morando na lama, pegando chuva dia e noite, ficando acordado das 6:30 am ate as 2:00 da madrugada, correndo de um sitio ao outro, acabei empiorando uma sinusite crônica que arrasto asse três anos, e que dadas às condições em que me encontrava, me obrigou a parar um dia em cama, e a pegar antibióticos pela seguinte semana.

Sim, uma noite sai também um par de horas com meu velho compadre Tullio Marques, de BH, para dar uma olhada nos outros acampamentos da juventude dentro da UFRA. Atravessamos uma confusão danada de milhares de pessoas, de centeias de postos de venda de comida, cerveja, cachaça, artesanatos amazônicos e de todas as Américas, camisetas, pôsteres, cartazes com fotos e frases de todos os heróis revolucionários do continente, bandeiras, CD´s, DVD´s, maconha, refrigerantes, caminhando entre montanhas de lixo, barulho de dúzias de equipamentos de som, no meio de numa nove de fumaça alucinante.

Saindo de lá, seguindo uma massa de pessoas que se encaminhava na mesma direção, acabamos ficando parados diante um gigantesco palco, onde uma banda de rock pesado se estava apresentando, acompanhados por um fundo psicodélico de luzes e um milhão de decibéis, ante uma turma que bebia e fumava em grupos, em tanto que alguns deles dançavam, a maior parte sozinhos. O ritmo hipnótico e a tecnologia de ponta conseguiam que todos ficáramos atrapalhados como moscas ante seu espetáculo. Ai consegui apenas ficar 15 minutos, e voltei de novo para a Aldeia. Já tinha suficiente como experiência, para saber o que era o resto do Acampamento da Juventude.

Foi por isso que não fiquei estranhado quando Eduardo, da segurança nacional, responsável da seguridade de todo o Acampamento Intercontinental da Juventude, chefe dos 250 bombeiros , os membros da segurança da mesma UFRA, o pessoal das imprensas locais como Josué Costa do O Liberal, e outros da imprensa nacional e internacional, durante e ao final do Fórum falaram para nos: “A Aldeia da Paz foi à menina de nossos olhos...Foi o acampamento mais limpo, organizado, com a maior e melhor energia de todo o encontro...Ficamos muito agradecidos pelo trabalho, e com muita saudade de todos vocês...Voltem sempre....”

Nas capas dos dois principais jornais de Belem, “Diário do Para” e “O Liberal”, os dias 20, 24, 25, 27 janeiro e o 01 fevereiro, compareceram em destaque as fotografias a cores das crianças da Caravana, de nosso acampamento e de nossos ônibus, e fotos da fogueira central no dia da apertura cerimonial da Aldeia, alem de varias matérias e entrevistas feitas a vários membros da Aldeia e da Caravana.

Um vídeo-clip de 2¨ editado na nossa Cooperativa de Comunicações da Aldeia, foi solicitado e incluído num documentário da TV Brasil sobre o FSM, que rolou a nível nacional, e enumerais entrevistas e gravações foram feitas sobre a vida em nossa eco-comunidade tribal alternativa, no meio da mata amazônica e do FSM, para dúzias de jornalistas, documentaristas, profissionais, amadores, visitantes, do Brasil e de outros paises do mundo.

A intenção de que a Aldeia fosse uma janela aberta para mostrar o que somos, o que estamos já construindo, no só no marco do FSM mais em nossas varias biorregiões, foi amplamente comprido. Ao nível interno com os participantes, muitos dos quais participavam numa experiência similar pela primeira vez em suas vidas, para os visitantes de Belem e do mundo , para os representantes dos diversos movimentos sociais que passaram pela Aldeia, para os meios de comunicação, organizadores e membros da UFRA , e finalmente para o mesmo Comitê Internacional do FSM, que reconheceu oficialmente a Aldeia da Paz como um dos movimentos sociais que faraó parte do comitê organizador dos próximos Fórums.

E mais importante a nossos mesmos olhos, nos que fizemos parte deste sonho desde muitos anos atrás, quando iniciamos a levantar Aldeias da Paz, primeiro em México, e depois com a Caravana Arcoiris, em Centro América, e em vários paises do sul do continente. Como não lembrar agora da primeira Aldeia de Paz Sudamericana, em Santa Elena, Medellín, Colômbia, no meio de um pais em guerra civil desde os anos 1950´s.

E mais tarde uma outra Aldeia numa comunidade indígena Pemón, na Grande Savana venezuelana, e outra na região de Titiribi, também na Colômbia, a poços kms de um acampamento dos paramilitares mais perigosos do pais.

E a Aldeia da Paz para mulheres lideres em Equador, onde nasceu um belíssimo romance que continua ate agora entre o Coyote Alberto e uma aguerrida mulher descendente dos povos cañares, hoje convertida em sacerdotisa das Deusas, espiritualizando a política no Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura brasileiro, e politizando a espiritualidade nas suas palestras e rodas , nos Círculos de Mulheres no Tipi da Lua e do Sol, onde quer que a Caravana se estabelece por um tempo: Verônica Sacta.

Depois foi o tempo da Grande Aldeia da Paz no Valle Sagrado do Urubamba, ao pe dos Andes, na entrada do caminho do coração dos incas a Machu Picchu, o histórico “Llamado del Condor,” nosso mais ambicioso sonho, materializado nesse ano do 2003 em Peru. Seguido de das montagens de Aldeias, um deles também muito ousado, no coração de uma das maiores capitais do Sul, Santiago de Chile, no mágico Apu Wechuraba o Cerro Blanco com nosso irmão Patara e as tribos do Arcoiris desse pais, e outro no jardim botânico de Viña del Mar, uma Aldeia focada para sanadores, curandeiros, xamas, mais com todos os outros elementos próprios de um assentamento o mais ecologicamente sustentável possível.

De Chile, nosso peregrinagem sagrado nos levou até a tam esperada e prometida Terra do Fogo, na Patagônia, deixando rodas e sementes de paz por varias cidades argentinas como Mendoza, El Bolsón, Córdoba e Ushuaia, passando por Uruguai, para dirigi-nos as terras mágicas da Chapada dos Veadeiros, o sitio escolhido pelos nossos parceiros da Caravana Omganeshbus, para levantar e montar a Aldeia de Paz do “Chamado do Beija Flor” em 2005. Outro grande desafio, que abriu as portas para que neste ano, conseguíssemos unificar as tribos das anteriores Aldeias da Paz dos Fóruns Sociais Mundiais de Porto Alegre e Caracas com a tribo internacional da Caravana Arcoiris.

No ano passado, graças a nossa longa estância em Recife, e ao contato com os Pontos de Cultura da região, não só levantamos uma Aldeia da Paz em Olinda, mais também contribuímos a fortalecer um novel processo de ecovila o Centro Ecopedagógico, Bicho do Mato. Este espaço alternativo, único no Nordeste, agora continuara sendo um projeto de Aldeia da Paz permanente, e ficamos honrados de saber que suas primeiras sementes foram plantadas pela Caravana, em agradecimento e como contrapartida pela acolhida que seus fundadores, Thomas Enlazador e Khalyne, junto com o avo Maria das Graças e os novos guerreiros Inti Kaire e Amam Terra nos ofereceram. A visão de unificar nossas forças para construir a Aldeia da Paz no FSM neste ano, surgiu precisamente numa conversa na base do Bicho do Mato, quando Thomas, Edu e eu, Coyote, compartilhamos nossas idéias e avaliamos as possibilidades de realizar este sonho. Parecia impossível, dadas as circunstancias nesse momento. Hoje, é uma pagina mais de nossa surreal e mágica historia.

A quarta vez que sai da Aldeia foi no 6 fevereiro, depois dos quatro dias que tomo para nos da Caravana levantar o acampamento, em verdade, a grande infra-estrutura com a qual nos contribuímos para seu funcionamento. Somente a lona de circo tomou dos dias para ser desmontada, já que as chuvas não permitiam que ela se secasse para poder ser dobrada e guardada no camião de produção.A estação de lavado de pratos e panelas, os muitos baralhes onde tentamos secar as roupas, e nunca conseguimos pelas chuvas constantes. Também tomou um grande tempo organizar nossas ferramentas, que nos primeiros dias da Aldeia eram as únicas existentes, e procurar as rádios de comunicação que foram indispensáveis para a segurança do acampamento e pela recepção de visitantes, inscrição de moradores, recebimento da imprensa e articulação com os órgãos de saúde, segurança e organização do Acampamento da Juventude e da UFRA.

Depois foi o turno da limpeza das nossas barracas e dos espaços comuns, banheiro seco, chuveiros, pias de água, trilhas, fogueira central, tipi do templo das deusas, refeitório, já que praticamente nos últimos três dias não ficou mais ninguém no espaço do centro agroecológico Iara, alem de uma pequena bagunceira, alcoolizada turma de pessoas provenientes dos outros acampamentos, que se negavam a sair da UFRA e ocuparam alguns dos espaços da Aldeia ate serem obrigados a abandonar o campus pelo serviço de segurança da Universidade.

Antes de sair, fizemos uma ultima repassada em todo o acampamento, para pegar as lonas pretas de plástico, roupa abandonada, pratos e outros objetos que foram distribuídos entre varias pessoas do bairro que solicitaram elas para suas famílias, e o resto do material utilizável, alimentos, panelas, ferramentas, etc, foi enviado para o grupo semente que inicio a montagem do acampamento da Rainbow Family brasileira, no município de Colares, a duas horas de Belem.

A Caravana, uma vez que nossos scouts voltaram a nossa base com reportes de vários possíveis sítios para nos deslocar depois do Fórum, se preparou para sair para o município de Castanhal, a um paraíso amazônico perto do bairro de Apeú, onde a sua proprietária, Izer Campos, mostrou interes em alojarmos por um tempo, em troca ao apoio a seu centro “Arte Fazenda” e algumas atividades para a comunidade vizinha, especialmente agora, em vésperas do Carnaval Paraense.

O dia 6 de fevereiro, véspera do aniversario do meu filho Odín, abandonamos a UFRA e Belem, com 27 pessoas de 10 paises diferentes, a maior parte ex-caravaneiros e amigos queridos que nos acompanharam neste capitulo importantíssimo de nossa lenda viva, e que estão aqui agora com nos, desfrutando um merecidissimo descanso num dos mais maravilhoso sítios onde a Caravana tem se assentado temporalmente em todos estes anos. Aqui estamos agora, carregando as nossas pilas, nos recuperando das ultimas semanas de grande stress, trabalho e dificuldades para sair de Recife, a dura semana de viagem para percorrer os 2.100 kms entre Recife e Belem, e as três semanas de enorme trabalho, emoções, encontros, atividades, programações, construção, sustentação e desmantelamento na lama e baixo a chuva, da nossa Aldeia e no Fórum, sem praticamente nenhum só dia de sol o de descanso.

O dia 7, já instalados nesta mágica e inesperada base, com um lago, um rio e uma cachoeira dentro da propriedade de 70 hectares, pegando banhos de sol e de água doce e mineral, no meio desta linda mata amazônica, todos baixo teto, incluso alguns de nos em quartos com camas e banheiros próprios, espaços de dança, de meditação, de oficinas e grande cozinha de lenha, recebei a mensagem de México que no mesmo dia de seu aniversario, Odín e Saidi tinham recebido na nossa casa de Huehuecóyotl, a mais nova e recente dos membros da grande tribo dos Ruz, uma menina, minha segunda neta, e a novidade que todo tinha acontecido da melhor maneira e todos estavam felizes de sua chegada.

Desta maneira, vou concluir este segundo e ultimo comunicado sobre o FSM e da nossa participação nele, enviando a tod@s aqueles que, respondendo a nosso Chamado da Floresta Amazônica, nos apoiaram, materialmente com doações para concertar nossos veículos e para o combustível que precisamos pelo viajem, um agradecimento enorme por acreditar em nos, e nos apoiar a realizar este sonho, a demonstrar que é tempo de acordar, e não deixar para amanha a construção de “OUTRO MUNDO POSSIVEL.”

A aqueles que nos enviaram suas benzas, boas vibrações, energia, positividade, ahos!, palavras o pensamentos de apoio e encorajem, igualmente agradecidos pela força invisível, a proteção que sempre precisamos para realizarem qualquer objetivo. Sem isso, nosso peregrinarem teria sido muito mais difícil e os desafios maiores.

E para aqueles que nem responderam ao Chamado, não nos apoiaram nem material, nem espiritualmente, alguns mesmo criticando nossa decisão de participar no Fórum, profetizando desgraças, dificuldades in-surmontaveis, agradecidos também, já que os desafios que são sobre-passados pela força da ação positiva, acabam fortalecendo a vontade, a intenção, sempre quando os objetivos são superiores e não provierem do ego e da procura da importância o ganho pessoal.

Uma outra missão que alguns meses atrás parecia impossível, agora já faz parte da historia, nossa historia, a historia da Caravana, a historia dos movimentos sociais e espirituais, a historia contemporânea da humanidade. Agradecemos ao Grande Mistério a oportunidade de poder contribuir a deixar algo melhor para os que vem depois de nos. Eu, particularmente, para meus filhos, filhas, netos e netas, para todos os que viajaram a Belem provenientes dos quatro cantos do mundo para nos acompanhar e estar presentes neste capitulo importante de nossas vidas!

E para os que nos perguntam todo o tempo do próximo capitulo da Caravana, somente podemos sinceramente respondê-los: O QUE O GRANDE MISTERIO NOS INDIQUE AGORA!!, já que nos, todavia não sabemos.

E finalmente meãs amigas e irmãos, para todos @s interessad@s no futuro do Fórum, na ultima reunião do Comitê Internacional do FSM, foi decidido que a seguinte edição do encontro terá lugar no ano 2011, e foram pré-selecionados dois possíveis lugares para assegurar sua sede: Um pais africano, a ser todavia definido, e os Estados Unidos, si as políticas exteriores de Obama Baraka favorecem um clima favorável para um evento de essa magnitude. E sobre todo, si a “guerra contra o terrorismo” inventada por Bush chega a termino, e uma nova legislação abre as portas para os milhares de altermundistas poder entrar no pais sem todos os atuais problemas que quase impossibilitam obtiver um visto para a maioria dos jovens politizados do mundo.

Enviamos muita luz, força, visão, persistência, alegria, a tod@s vocês, onde quer que se encontrem. Sempre para sempre, El Coyote Alberto Ruz.



AHO!, ARIGATO ! JAYAYA! AHA!
O´MTA KUOYASIM !!!

DEDICADO:
Aos Caravaneiros de coração, velhos e recentes, que estiveram e estão aqui, nas boas e nas piores:

Alberto Ruz Buenfil- Coyote
Bruno Marcelino
Karol Mora Sacta
Lidiane da Sà e Nathan
Luzia Roberto, Dieguinho e Abayomi
Nelson da Costa Pedro
Rafa Gentileza Barretos
Sofia Mora Sacta
Verônica Sacta Campòs

A nossos generosos apoiadores econômicos:

Becca Massey and Morgaine Avalon de US
Congreso biorregional KAW-US
Domitila de Recife
Giancarlo de Italia
Heidi Junkersfeld de US
Jean Hudon de Canadá
Joyce and Gen Marshal de US
Leonor Fuguet de Venezuela
Liora Adler de Gaia University
Marisa de Lille de México
Mark Elmy de Inglaterra
Mike Carr de Canadá
Odin Ruz de Huehuecoyotl
Pellé e o Ponto de Cultura Trilhas do Teatro- Teresinha
Rosali de Aracajú
Solon Durán de Venezuela
Stefano Mari de Italia
Suga-San de Japón
Thadeus Haas, de US
Theo Gandolfi de Suiza



Agradecimentos especiais a nossas queridas parceiras e parceiros da:

Fundação Terra Mirim: Alba Maria e Khalina

E do Centro Ecopedagógico Bicho do Mato: Thomas Enlazador, Kalinne, Maria das Graças, Inti e Amam.

A nossos caros amig@s e ex-caravaner@s que chegaram a Belem a construir e compartilhar suas experiências na Aldeia com nos:

Alberto “Ardilla” do Rainbow Internacional
Alexander Chavez de Venezuela
Anita Balado de Argentina
Ayana Dardaine de Trinidad Tobago
Celeste e Damian de Redfugios-Latinoamérica
Chelah do Beija Flor
Estrella Herrera Rossiter de la Caravana
Fátima Soares de Recife
Gema y Maria de Hispania
Genevieve Gallerand de Quebec
Gwen Peterdi de USA
Heather Finnstra de Canadá
Heidi Junkersfeld de USA
Heriberto Frias de Puerto Rico
Irene Smith de Aracajú
Jessica Rossiter de Aracajú
Ka Ribas de Belo Horizonte
Kalinne, Inti e Amam de Bicho do Mato
Leonor Fuguet de Venezuela
Leão e Peter, pioneiros do ENCA
Luiz Vieira “EL Colorado” de São Paulo
Maria Pereira de Rio de Janeiro
Mariana Motta de Belo Horizonte
Mark Elmy de Inglaterra
Martha de Bahia
Mikel do País Vasco
Ninguém Marcos de Pelotas
Pablo Bedmar de todas partes
Paola Londoño y Jaime, de Colombia
Pedro Jatobá de ITeia
Roderick de Venezuela
Solon Duran de Maracaibo, Venezuela
Sol, de Viver de Luz
Thadeus Haas de USA
Thomas Enlazador de Bicho do Mato
Tiago Jatobá e Cris de Recife
Tullio Marques de Belo Horizonte
Variña e José de Chile
Vinicius Morais de Belo Horizonte
Yoya de Venezuela
Zoeli e Emanuel de Puerto Rico

E a tod@s os guerreir@s e amazonas e demais voluntários que contribuíram substancialmente a construção e sustentação da nossa Aldeia:

Alexandre, Plebeus, Paula, Karina, Drica e Bruno, Derek, Rowina, Mowgli, Nara, Luciano, Luis Felipe, Natalia, Felipe, Mayana, Yasminsol, Andrei, Serguinho, Kariri, Sandrinha, Pablo y la Família da Luz colombiana, Gigi, Lugie, Mauro e @s pizzaoiol@s, Semente do Rainbow, Xaba, Roberto, Lautaro, Maia, Letícia, Rafael, Zecca e o pessoal do Iara, Nilton, Zhema e o pessoal do Pontao de Cultura Argonautas Ambientalistas de Amazônia, Nelsinho, Medusa e Felipe, Suzie, Laura, Adriana, Sylvain e Julie, Claudia Luz, Juliana, Wanderley, o pessoal do Ponto de Cultura Pão e Lata e dos Permacultores Nômades e do Instituto Anima, e tant@s outr@s que não consigo lembrar os nomes, mais ficam em nosso coração para sempre.

Paginas com imagens da Aldeia da Paz

www.iteia.org.br/aldeiadapaz
http://www.caravanaarcoiris.blogspot.com/
http://www.aldeiadapaz.net/nsite/modules/news/article.php?storyid=21
http://www.wsftv.net/test
http://www.ybytucatu.com.br/

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

PRIMEIRO COMUNICADO DESDE A ALDEIA DE PAZ EM AMAZONIA


Por Coyote Alberto Ruz
Belem, Para
Amazônia, Brasil

Uma vez mais, uma missão que parecia quase impossível para a Caravana Arcoiris por la Paz, logro serem realizada: Conseguimos sair de Recife, depois de 11 meses estacionados na base Bicho do Mato, uma vez que nossos veículos foram precariamente concertados, pneus de segunda rodada comprados, os vistos e permissões para ficar legais temporalmente no pais proporcionadas, graças ao apoio in-valuavel das nossas irmãs da Fundação Terra Mirim, e de reunir uma quantidade apenas suficiente de dinheiro para a viagem, graças às doações feitas pelos nossos amigos, irmãos e companheiros incondicionais dos quatro cantos da Pachamama.

O percurso de Recife a Belem, de 2100 kms, foi realizado, a ritmo caravaneiro, em oito dias, com uma soa parada em Teresina de dois noites. Tivemos vários problemas mecânicos, praticamente com todos os veículos, mais afortunadamente nenhum de gravidade, e os piores, justo nos sítios onde paramos e podíamos resolvê-los: pneus furados, uma mola quebrada, quedas elétricas, concerto de motor de arranque e muda de bateria, uma roda rota dum trailer, perda de pressão e mistura de óleo e diesel no motor do caminhão, e o mais perigoso, duas vezes, a quebra do sistema de enganche entre a Wipala e nossa cozinha móbil, a Caracola.

Cada noite paramos nos postos de combustível, para maior segurança (as estradas do norte do Brasil são consideradas altamente perigosas por causa dos assaltos), por contar com banheiros e chuveiros, e nos estacionamentos dos caminhões, com espaços com teto para botar nossas barracas.

Viajando oito dias com 22 pessoas a bordo, cinco delas crianças entre um e 7 anos, tirando da Kombi com o caminhão para poupar combustível, e uma soa parada de um dia no caminho, não foi sempre fácil. Devido a isso, a providencial pausa em Teresina, convidados pelo Grande Pellé, responsável do Ponto de Cultura Trilhas de Teatro, num albergue com quartos e camas, água corrente, refeições e: UMA PISCINA, foi uma oferenda do Universo que precisávamos e agradecemos muito. Em troca desse convite a Caravana fiz uma apresentação na estação da Ferroviária onde o Ponto de Cultura tem a sua sede, com números de dança, conta-historias, mimo, malabares de fogo, abraçoterapia e cirandas do mundo.

Na manha do domingo 18, a Caravana fez seu ingresso no campus da Universidade Federal Rural de Amazônia, onde o Acampamento da Juventude será alojada pelos dias do Fórum Social Mundial. Foi um momento de grande alegria coletiva por ter chegado bem, sãos e salvos a nosso destino. A trezentos metros do portão, encontramos o sitio onde estamos neste momento construindo a Aldeia de Paz, e onde Thomas Enlazador e uma turma de 30 pessoas já estavam morando de uma a duas semanas.

Esse mesmo dia começo para a Caravana o seguinte capitulo de sua historia. A primeira participação tanto num Fórum Social Mundial como num encontro tão numeroso, já que as expectativas de participação variam entre 90 e 120.000 pessoas.

O Acampamento da Juventude esta-se preparando para receber aproximadamente 10.000 pessoas, e a Aldeia da Paz um máximo de 400 a 500 pessoas. A Aldeia será o único espaço de autogestão, com um refeitório solidário vegetariano, com banheiros ecológicos secos, um território livre de álcool, onde as decisões serão tomadas nas rodas pelos moradores, e com um desenho permacultural para definir os espaços dos bairros, os espaços comunais, as trilhas, os centros de reciclagem e as composteiras.

A Caravana já montou sua grande lona de circo, a lona do Arcoiris, onde serão programadas oficinas, apresentações, espetáculos, palestras, reuniões e conselhos de visões das diversas tribos que assistam ao Fórum. Junto à lona, nossos seis veículos estão já sendo utilizados para manter a Caracola, nossa cozinha alternativa, a Mazorca, nosso escritório com os computadores, os equipamentos eletrônicos, arquivos e, pela primeira vez na nossa historia, o Internet 24 horas ao dia. Em nosso caminhão Ganesha, mantemos uma área de ferramentas e para apoiar a produção, e nossa Kombi é até agora o único veiculo para deslocamentos da equipe de produção e relações publicas para a cidade. O trailer Águila contem o equipamento de acampado e para as oficinas, e o ônibus Wipala o alojamento de alguns de nos, especialmente aqueles cujas barracas ficam inundadas nas fortes chuvas tropicais da tarde e das noites.

Neste momento temos representantes de mais de 25 coletivos, nacionais e internacionais, de 15 paises do mundo, participando como voluntários nos diferentes Grupos de Trabalho que estão construindo todas as infra-estruturas necessárias para receber aos próximos grupos, caravanas, coletivos e indivíduos que chegaram a Aldeia da Paz nos próximos dias.

Estamos levantando o tipi da cura e primeiros auxílios, o espaço das abelhinhas (crianças), o refeitório, a centro de comunicações, audiovisuais e cultura digital, os chuveiros, as latrinas secas, o tipi da lua para as mulheres, as áreas para acampamentos, os centros de reciclagem e composta, a tenda da recepção, e colhendo lenha para a fogueira central, que será acesa no por do sol do dia 23, e permanecera sendo cuidada até o fechamento da Aldeia da Paz no mês de fevereiro, para as atividades ecumênicas das diversas tradições.

Temos equipes desenhando placas de sinalização, um mapa da Aldeia, preparando nossos alimentos, pegando água, mantendo relações com os organismos locais, nacionais e internacionais que coordenam o FSM, com os bombeiros, a policia militar, a policia ambiental, a imprensa, a segurança da Universidade, a reitoria da UFRA...

No resto do campus, as estruturas alugadas para os outros acampamentos ficam até hoje, vazias. Nenhum desses acampamentos tem até agora pessoal morando neles. Tem espaços confortáveis e modernos para refeitórios, chuveiros, fórums, encontros, e nos estamos construindo todo com bambu, terra, serragem, madeira reciclada, material pegado nos lixeiros da Universidade, lonas pretas, e poquisimas ferramentas proporcionadas pelos mesmos coletivos.

Conseguir todo isso não foi, nem é uma tarefa fácil. E o fruto de muitas articulações, pressão, trabalho, e da presença desta equipe heróica de voluntários que estamos praticamente ocupando um espaço, na área de agroecología, graças ao coletivo IARA, que nos foi negada e tivemos que lidar muito com outras entidades políticas, para poder montar nossa Aldeia da Paz. Construir “um outro mundo” não é uma tarefa simples.

Mais nessa estamos, e este é nosso primeiro comunicado para todo@s vocês que não conseguiram chegar a Belem. Esperamos poder representá-los bem, e levar nossas visões coletivas a este, o maior fórum social que acontece no planeta, neste momento histórico de mudanças, que propicia mudanças globais com o fim da Era de Bush e o inicio do que poderia ser um novo ciclo social e ambiental na Terra.

O Fórum Social Mundial será um termômetro para medir nossa capacidade organizativa, nossa articulação com outros movimentos, e para abrir ao mundo muitas janelas onde poder perceber como esse “outro mundo” pode ser manifestado.

Os nossos irm@os maias das florestas de Chiapas falaram que este já não somente era o tempo de sonhar, mais o tempo de acordar e começar a construir esses sonhos. Hoje, aqui na floresta Amazônica, estamos precisamente construindo nosso sonho: uma Eco aldeia cerimonial temporal, no coração do maior encontro de tribos de planeta.

Agradecemos a todas as forças do Universo por essa possibilidade, por este momento, por esta responsabilidade e por esta grande celebração pela vida.

Por todas as nossas relações

O¨MTA KU OYASIM



Domingo, 28 de Dezembro de 2008

ENCERRANDO CICLOS EM RECIFE: CAMINHO AO “CHAMADO DA FLORESTA AMAZONICA”

Bicho do Mato, Recife
Dezembro 28, 2008


Celebramos o Natal e a entrada do ciclo de verão-inverno no dia do Solstício com uma maravilhosa e abundante janta comunal aqui na base, uma fogueira, a lua e as estrelas, cantos e dança, recebendo com muito entusiasmo os antigos e novos caravaneiros que farão parte da tripulação que levará a Caravana ao Fórum Social Mundial.



As ultimas semanas têm sido de atividade constante, dia e noite, e a base tem se tornado uma verdadeira colméia: Saídas a retaque para trocar alimentos por brincadeiras no CEASA, celebrações com a turma de Olinda, dançando Cavalo Marinho e Coco na Piaba de Ouro, repintada de todos os veículos, limpeza geral da base e de nossa aldeia móbil, consertos mecânicos vários, renovação de pneus, reativação do sistema de energia solar, integração da nossa turma, cerimônia de ayahuasca, reuniões, agendas e decisões, procura de extensão de vistos e permissões para os veículos e de combustível, e uma linda troca com a turma da Rede de Resistência Solidária, que nos visitou por dois dias com seus grafiteiros, tornando todas as paredes do Bicho do Mato, e alguns cantos dos veículos da Caravana, nas telas onde suas artes urbanas se encontram com a arte da natureza, presente sempre onde estamos.



Os desafios têm sido enormes. Sem patrocínio nem apojo institucional, nem local nem federal, só estamos contando para realizar esta missão com noss@s amig@s, que graças as suas doações estão contribuindo a bancarmos os nossos gastos, já que todo o resto é só a boa vontade, amor e confiança de que temos que fazer o que estamos fazendo, para tod@s aqueles que tem sustentado a Caravana por anos, com sua participação como tripulantes, com suas rezadas e bênçãos, com suas cartas e mensagens, e para aqueles que vão a FSM para nos encontrarem e para construir juntos a Aldeia de Paz.

Do resto, todos os pagamentos dos trabalhos realizados pela Caravana no estado de Pernambuco e em Brasília nos últimos meses, até hoje não tem sido feitos, por deficiência do sistema administrativo e burocrático das prefeituras, alguns deles desde o mês de julho, recursos com os quais nós estávamos contando para nosso deslocamento à Belem.

Da mesma forma, o inicio de nosso novo projeto de Pontao itinerante com o Ministério da Cultura, em parceria com nossas caras e solidárias irmãs da Fundação Terra Mirim, foi arbitrariamente detido devido às irregularidades que nossos antigos parceiros do Portal do Xingu fizeram com nossa prestação de contas, o que congelou o aceso a um importante patrocínio que nós ganhamos justamente num edital federal no mês de outubro de 2007.

Devido a essas rações, a Caravana estará saindo somente com os consertos mais urgentes dos veículos, com pneus usados, com dinheiro apenas justo para combustível, pegando o roteiro mais curto, a traves do sertão nordestino, em pleno verão, levando de reboque a nossa Kombi para poupar gasolina, e contando com conseguir parte dos alimentos para uma equipe de 21 pessoas, incluindo 5 crianças, nas feiras das cidades e povoados por onde passemos.

As noites, nós ficaremos seja nos postos de combustíveis, na beira de um rio, se encontrarmos eles no sertão, ou em espaços que sejam proporcionados pelos nossos parceiros dos Pontos de Cultura ou outras entidades afins a nossa missão e visão.

Com tudo, a gente só pode agradecer o Grande Mistério, já que a pesar dessas dificuldades, o espírito caravaneiro não tem sumido, mais ao contrario tem crescido cada dia mais e mais. Novos aliados apareceram de onde não esperávamos, a nossa querida irmã Heidi e seu companheiro Tad, desde os Estados Unidos, mobilizaram todas as nossas redes e conseguiram esse mínimo de recursos com os quais nos lançamos a grande aventura.

Parceiros e amig@s de aqui e lá enviaram suas gotas verdes as nossas contas, as suas palavras de força e de amor a nossos corações, e com tudo isso, estamos quase prontos para a hora zero, quando lançaremos nosso grito tradicional de partida: VAAAMONOOOS!!!

A previsão é de ter nossa roda de fechamento aqui no querido Bicho do Mato, com nossos incríveis anfitriões Thomas e Kalinne, Inti e Amam, no dia 2 ou 3 de janeiro, para pegar a estrada e começar a peregrinagem, percorrendo uma media de 300 a 350 km por dia, parando em dois ou três lugares no caminho, e chegar a Belem entre o 13 e 14 de janeiro. Se tudo der certo!

Para isso vamos precisar de muita fé, muita paciência, muito trabalho, muita ajuda no plano físico e astral, e muitos aliados para conseguir nosso grande propósito. Por isso contamos com vocês, para estar aí conosco, de onde quer que vocês se encontrem. E para nos encontrarmos em Belém, para o “nascimento” de nossa Aldeia de Paz, já que ela e, como falam os irmãos Zapatistas nas florestas do Chiapas Rebelde mexicano, “PARA TODOS, TUDO”.

Aquele abraço, sempre agradecido, Coyote Alberto.

Bom ano gregoriano e muitas festas, saúde, amor, paz e alegria, os desejamos todos os e as caravaneras de hoje, e de sempre.

Verônica, Karol, Sofia, Nelson, Heidi, Tad, Luzia, Dieguinho, Abayomi, Ninguém, Bruno, Lidiane, Nathan, Rafael, Cris, Jatobá, Gira e Estrella....

Domingo, 14 de Dezembro de 2008

Vida Caravanera

apresentações

montagem da lona


dia-a-dia


Bicho do Mato




Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

3º.FESTIVAL do CONSUMO SUSTENTAVEL-


Parque 13 de maio, Recife- 20 e 21 de Novembro.

A PROCON-Recife, uma instituição de apojo e atendimento ao consumidor da Prefeitura de Recife parceira de nossos anfitriões do centro Ecopedagógico Bicho do Mato, Thomas e Khalyna, fiz uma parceria com a Caravana para participar no 3º festival do Consumo Sustentável, no centro da cidade, recebendo as pessoas, fazendo dinâmicas com elas e alugando nossa lona de circo para varias das atividades programadas, e para a realização do Mercado de Trocas da Feira de Economia Solidária.

O dia 19. nos montamos de novo nossa lona no mesmo sitio onde semanas atrás foi montada para a Mostra de Circos, e nos dias 20 e 21 nos participamos com dinâmicas, brincadeiras e danças circulares do mundo, para os jovens das escolas que assistiram ao evento.

Esta atividade, que temos realizando cada mês no Bicho do Mato, tive esta vez muita mas presença, visibilidade, nos meios de comunicação, na imprensa e al TV, e muitos jovens das escolas do centro participaram das atividades oferecidas, como oficinas de hortas urbanas, origami, reciclagem de papel, permacultura, fotografia de lata e consumo sustentável entre outras.

O evento contribuiu a: “Difundir a prática de consumo baseada na sustentabilidade, estimulando o desenvolvimento da economia solidária e a forma de viver de maneira simples e em harmonia com a natureza..”

A Caravana levou no festival seus conteúdos, a sua presença, as danças, os colores, e a musica junto com a nossa irmã Mãe da Lua. Agradecemos a Thomas e Clia ternos convidado. Boa caminhada para esta magnífica proposta.

PALESTRA SOBRE ECOVILAS na Universidade Federal de Pernambuco.

6 de Novembro

Convidado pela Maestria do Programa de pós-graduação em Desenvolvimento Urbano da UFPE, o Coyote Alberto preferiu no dia 6 de novembro uma palestra-audiovisual, apojado por Verônica, com o titulo “O que é uma Ecovila?”, que foi atendida por mais de 80 pessoas que lotaram o auditório da Universidade assinado para essa atividade. O tema atraiu pessoas de diferentes áreas da academia, professores e alunos, e também outras eu não tem a ver com o mundo acadêmico, mais muito interessadas na informação sobre o histórico das ecovilas e suas propostas, sobre todo para reverdecer e fazer mais sustentáveis as cidades.

A longa vida do Coyote como ativista e pioneiro do movimento das comunidades intencionais, como focalizador da Rede de Ecovilas das Américas (ENA), co-fundador da ecovila d Huehuecóyotl em México e coordenador da Caravana, único centro vivenciai e de formação itinerante reconhecido pela Rede Global de Ecovilas (GEN) permitiu que a palestra fosse não só uma ilustração cronológica das origens desse movimento, mais uma experiência viva, com uma discussão muito interessante e prolongada ao final da fala com os assistentes.